Sabotagem ou falha? Profissionais da aviação avaliam queda do avião no Irã
  • Joalisson Costa

Sabotagem ou falha? Profissionais da aviação avaliam queda do avião no Irã

A queda de um Boeing 737-800 da companhia aérea Ukraine International Airlines com 176 pessoas a bordo em Teerã (Irã) hoje levantou dúvidas sobre as causas do episódio, que ganha contornos mais suspeitos devido ao acirramento do conflito entre os governos persa e norte-americano.


Inicialmente, a Ucrânia falou em falha técnica, mas recuou e disse que investiga. O Irã localizou as caixas-pretas e afirmou que não as enviará à Boeing, empresa sediada nos Estados Unidos.


O clima de desconfiança recíproca se explica pelo contexto de animosidades dos últimos dias: semana passada, um drone comandado por norte-americanos matou um general iraniano; e em retaliação, a Guarda Revolucionária Iraniana ordenou ataques contra bases dos EUA no Iraque.



"Pode ser apenas coincidência, uma falha do piloto ou uma bomba a bordo", afirma o engenheiro aeronáutico e presidente da consultoria Vinci Aeronáutica, Shailon Ian, que já trabalhou com investigações de acidentes aeronáuticos no Brasil.


Entenda as hipóteses e o contexto histórico:


Para comandante, falha no motor é pouco provável


Imagens que circulam na internet mostram o avião em chamas antes mesmo de cair — o que não caracterizaria falha no motor, conforme avaliação de Miguel Ângelo, diretor de segurança operacional da Aopa Brasil (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves) e comandante de aviões comerciais.


"Falha de motor não causa incêndio. Mesmo que o motor pegue fogo, basta cortar (desligar) que o fogo apaga. No limite, o material que sustenta o motor se desprende, e o motor cai sem alastrar o fogo para a asa"


Ele também diz que se fosse falha no motor, a aeronave não cairia repentinamente. "Pode voar só com o outro motor", afirma.


"Eu descartaria falha do avião"

Miguel Ângelo, comandante de aviões comerciais.



Modelo é considerado seguro


Após o acidente, a Ukraine International Airlines afirmou que os pilotos eram muito experientes. Até o momento, não há registros de que eles tenham enviado comunicado de emergência antes da queda.


A empresa também afirmou que a aeronave que caiu era uma dos melhores de sua frota.


O comandante Miguel Ângelo também avalia positivamente o modelo.


"Estamos voando esse avião há mais de 20 anos e é comprovadamente seguro", afirmou ao MEGA AVIAÇÃO.


'Chance de pane é pequena', diz engenheiro


Shailon Ian também disse não acreditar em uma falha mecânica do avião.


"Essa versão do 737 é segura e a chance de uma pane é pouco provável, só se alguém fez alguma manutenção e deixou algo para trás", afirmou.


Para o engenheiro aeronáutico, em caso de sabotagem, o mais provável é que o avião tenha sofrido alguma falha nas superfícies de comando que permitem o avião subir, descer e fazer curvas.


Avião tinha menos de quatro anos de uso


O Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines vinha voando com regularidade.


A última vez que ficou um dia sem voar foi nos dias 10 e 11 de novembro, segundo o histórico de voo do avião no site FlightRadar24. Foram 24 voos desde o dia 1º de janeiro deste ano.


A rota entre Kiev (Ucrânia) e Teerã (Irã) era uma das mais comuns feitas pela aeronave de prefixo UR-PSR.


Nos primeiros dias de 2020, além de Teerã, o mesmo avião também voou de Kiev para Paris (França), Milão (Itália), Londres (Reino Unido) e Yerevan (Armênia).


Além disso, o Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines é um avião novo. A aeronave fez o seu primeiro voo em 21 de junho de 2016, tendo menos de quatro anos de uso.


"Esse histórico mostra que o avião não enfrentava problema de manutenção", afirmou o engenheiro aeronáutico Shailon Ian.


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