Presidente da Emirates culpa Air France e Lufthansa por não valorizar a A380
  • Joalisson Costa

Presidente da Emirates culpa Air France e Lufthansa por não valorizar a A380



Se Anne Rigail, CEO da Air France, foi honesta ao explicar porque o A380 foi umm fracasso na empresa, o presidente da Emirantes Airline, maior operadora do jato com 113 unidades e mais sete por serem entregues, também não poupou críticas, mais à rival francesa.

Em entrevista ao site Airline Rating, Tim Clark foi categórico ao firmar que o A380 não funcionou não apenas na Air France como também na Lufthansa e British Airways por uma simples razão: elas o trataram como "mais do mesmo"


Embora o executivo britânico tenha reconhecido que opera o A380 no início foi complicado (a disponibilidade do jato era baixa, de apenas 90 %) a culpa está no fato de Air France ter uma frota pequena do avião - apenas dez unidades. "Se você tem uma centena deles, é um pouco diferente. Seus custos unitários ao operar com esse número são muitos mais baixos do que apenas dez", explicou Clark.


No entanto, o CEO da Emirantes questionou a estratégia usada pelas empresas europeias com o Airbus. Enquanto a companhia aérea de Duabai equipou seus aviões com bar, chuveiros e telas imensas, Air france e Luftansa optaram por oferecer interiores ultrapassados e semelhantes aos de outros aviões mais antigos.


"Nós assumimos um risco por uma razão calculada simplesmente porque havíamos feito um imenso investimento", ao justificar o fato de a Emirates ter utilizado uma estratégica de marketing mais agressiva com o A380. "Já todos o planejamento da Air France e Lufthansa foi mais do mesmo. Eles perderam a oportunidade de se diferenciar por conta do jato".


















Clark foi além e ironizou a British Airways. Para ele, a companha britânica poderia ter mesmo número de A380 que a Emirates, mas apenas 12 são utilizadas atualmente. "Eles têm 62 milhões de pessoas no Reino Unido e um aeroporto congestionado (Heathrow) que poderia funcionar melhor".


Hora errada


Ao ser questionado por que o A380 não deu certo, Tim Clark surpreendeu. Ele acredita que o jato chegou na hora errada. "Do conceito à entrega, a Airbus levou 12 anos, é muito tempo. Esse ciclo em nossos negócios é perigoso". A aeronave começou a ser desenvolvida nos anos 90, quando o turismo aéreo estava em alta, diz o executivo, mas o quadrimotor só entrou em serviço em outubro de 2007, às vésperas da crise financeira mundial.

"O A380 entrou em serviço conosco em 2008 quando os preços dos combustíveis dispararam até U$$ 145 por barril. Entre 2008 e 2010, o setor aéreo entrou em colapso. Essa aeronave nunca teve chance, pois os responsáveis das principais companhias aéreas do mundo era muito avessos ao risco", reconheceu.


O britânico considera que a Emirantes salvou o A380 ao praticamente encomendar metade do aviões. Ele garante que seria possível ter hoje 150 aviões se o jato tivesse chegado ao mercado antes. E até memso a versão A380-900, com maior capacidade, teria sido bem - vinda: "com os mesmo seis slots que tenho em Heathrow, eu lotaria esses aviões como hoje".


Airbus lamentará decisão


Tim Clark defende a necessidade de uma aeronave como o A380. Para ele, o jato é economicamente viável e explica porque. "Quando um A380 voa de Dubai para Los Angeles com 515 pessoas, ele queima 13 toneladas de combustível por hora, cerca de 200 toneladas na viagem. Um Boeing 787-9 em nossa configuração transporta 230 a 240 passageiros. Com dois voos do 787, que queima metade do combustível com o número de assentos disponíveis, o custo de combustível por assento no A380 é mais barato que no 787", diz.


Por essa razão o CEO da Emirates enxerga o futuro com preocupação. Ele crê que a economia global irá se reerguer e com isso a demanda voltará a subir, mas os aeroportos não darão conta. Sem um avião como o A380 a oferta será menos que a demanda e o reflexo virá na forma de aumento no preço dos bilhetes.

Por isso o CEO lamenta a decisão da fabricante europeia de encerrar sua produção: "A Airbus lamentará o dia em que cancelou o A380", profetiza Tim Clark.


Presidente da Emirates culpa Air France e Lufthansa por não valorizar a A380

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